A Delegacia de Trânsito de Maringá concluiu o inquérito sobre a morte do motociclista Rodolfo Rodrigo Notario, de 38 anos, e indiciou o estudante de medicina Victor Hugo Lemos Miguel por homicídio com dolo eventual, com base no artigo 121 do Código Penal.
O enquadramento representa uma mudança em relação à hipótese inicial, que considerava homicídio culposo na direção de veículo automotor e omissão de socorro.
Rodolfo morreu na terça-feira, dia primeiro de setembro, na Santa Casa de Maringá, onde estava internado desde o acidente. O quadro de saúde havia se agravado nos últimos dias.
A colisão ocorreu na noite de 23 de agosto, na Rua Mem de Sá, na Zona 2. Segundo a Polícia Civil, Victor conduzia um Honda City no mesmo sentido da Yamaha Fazer pilotada por Rodolfo Notario quando atingiu a traseira da motocicleta.
Ainda conforme o inquérito, após a batida, o motorista não parou. A moto e Rodolfo ficaram presos à parte dianteira do automóvel, que continuou em movimento por vários metros até que o motociclista caiu na pista.
Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que Victor apresentava sinais de embriaguez. Ele também se recusou a realizar o teste do etilômetro.
A Polícia Civil afirma que os elementos reunidos indicaram que o motorista não apresentava condições motoras mínimas para conduzir o veículo. Ele foi preso em flagrante após o acidente.
Imagens de câmeras de segurança ajudaram a esclarecer a dinâmica da ocorrência e, segundo a investigação, confirmaram que o Honda City continuou trafegando após a colisão, com a motocicleta presa à parte dianteira.
A investigação também apontou uma tentativa de deixar o local sem prestar atendimento à vítima. A saída teria sido interrompida por populares.
Para o delegado de Trânsito de Maringá, Francisco Caricati, o conjunto de elementos ultrapassa, em tese, a caracterização de um homicídio culposo.
No entendimento da Polícia Civil, Victor teria assumido o risco de provocar a morte de Rodolfo, o que caracteriza o dolo eventual. No relatório final, o delegado afirma que “não há dúvidas” sobre a presença dessa modalidade de dolo no caso.
Com o encerramento do inquérito, o indiciamento foi encaminhado ao Poder Judiciário, que deverá analisar as provas e definir os próximos passos. O indiciamento não representa condenação.
A reportagem procurou a defesa de Victor Hugo Lemos Miguel, mas não recebeu retorno até a publicação. Caso haja manifestação, o posicionamento poderá ser incluído no texto.
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Fonte:Paraná Jornal