O produtor Michael Brian Davis, responsável pela produção de Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que não entregará dados à Polícia Federal sem uma ordem judicial proveniente dos Estados Unidos. Davis, sócio da produtora Go Up, declarou que não autorizou o envio de documentos contábeis, fiscais ou bancários da companhia para as autoridades brasileiras. Essa decisão foi reportada pelo jornal Folha de S. Paulo.
As investigações da Polícia Federal sobre o longa-metragem começaram em maio, após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro solicita um montante de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme. Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou qualquer vínculo com Vorcaro, mas posteriormente admitiu que a relação com o empresário, que está preso por crimes financeiros, foi apenas para viabilizar a produção do filme sobre seu pai.
Desde agosto, a Polícia Federal tem solicitado informações sobre Dark Horse. No dia 19 daquele mês, a PF pediu que Karina Gama, sócia da Go Up no Brasil, apresentasse documentos sobre a empresa e a produção do filme. Entre os itens solicitados estão cópias de faturas emitidas e recebidas no exterior, além de contratos com atores, incluindo Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro. A PF também requer que a Go Up comprove gastos de aproximadamente R$ 54,2 milhões realizados nos Estados Unidos.
Karina Gama enviou parte da documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo uma recusa do produtor americano em fornecer os dados da empresa. Em um e-mail enviado a Karina, Davis destacou que, seguindo a orientação de seus advogados, não pode compartilhar qualquer documento da Go Up sem a validação prévia dos requisitos legais por parte de seus representantes nos EUA.
Além disso, documentos obtidos pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República indicam que Flávio Bolsonaro atuava como interlocutor direto nas negociações de financiamento com Daniel Vorcaro. As investigações ainda sugerem que Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair Bolsonaro e residente nos EUA, poderia estar gerenciando os fundos arrecadados para o filme. A PF está apurando se parte do dinheiro levantado foi utilizado para cobrir despesas de Eduardo na América do Norte.