Durante um evento sobre Segurança Pública realizado no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou sua discordância em relação à classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma definição que partiu dos Estados Unidos. Em suas declarações, Lula enfatizou que o verdadeiro ato de terrorismo no Brasil foi o ocorrido em 8 de janeiro, quando houve uma tentativa de golpe que visava a morte de autoridades, incluindo ele mesmo, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Lula destacou que a ideia de considerar as facções criminosas como terroristas é inaceitável e citou o ex-presidente Donald Trump, afirmando que sua perspectiva sobre terrorismo se refere a uma forma de terrorismo de Estado, ao invés de uma luta pelo poder. Ele relacionou as ações de Bolsonaro, que teriam culminado no 8 de janeiro, com essa definição de terrorismo, considerando que houve uma intenção de assassinato de figuras políticas.
A declaração do presidente Lula ocorre em um contexto em que o governo americano voltou a criticar a abordagem do Brasil em relação ao PCC e ao CV. Em um comunicado enviado ao Congresso dos EUA, Washington argumentou que o Brasil não tem enfrentado adequadamente essas facções, que foram designadas como organizações terroristas estrangeiras. Essa designação, que entrou em vigor em junho, permite aos EUA aplicar sanções contra indivíduos e entidades associadas a essas organizações.
Lula também abordou a questão da soberania sobre os recursos naturais do Brasil, mencionando a importância do petróleo da Margem Equatorial e a necessidade de investimentos para proteger as fronteiras do país. Ele questionou como seria possível controlar 18 mil quilômetros de fronteira sem o devido suporte financeiro, insinuando que os interesses dos EUA em minerais críticos e petróleo estão por trás das pressões sobre o Brasil.
Além disso, o presidente anunciou sua intenção de criar um Ministério da Segurança Pública e mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que atualmente tramita no Congresso Nacional. Em relação ao Rio de Janeiro, Lula expressou preocupação com a situação de bairros e escolas, que estão sob a ameaça de bandidos e milicianos, e prometeu retomar áreas dominadas por organizações criminosas caso seja reeleito.
A pressão dos EUA para que o Brasil implemente medidas mais rigorosas contra o PCC e o CV é crescente, com um relatório americano afirmando que essas facções representam uma ameaça à segurança internacional e exigindo ações efetivas do governo brasileiro.