Em entrevista à Super Rádio Tupi na sexta-feira, 18, o presidente Lula fez uma ligação entre o escândalo envolvendo o Banco Master e o governo de Jair Bolsonaro. O petista apontou irregularidades atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição, e indicou Bolsonaro como "culpado" pelo caso, sem, no entanto, mencionar as relações de membros do PT com pessoas associadas a Vorcaro.
Lula destacou que o Banco Master foi criado durante a gestão de Bolsonaro e que sua liquidação ocorreu em seu governo. Em um post no X, o presidente registrou: "O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro. E foi fechado no meu governo".
O ex-presidente atribuiu ao empresário um desfalque de R$ 60 bilhões, informando que o caso também envolve outros bancos e fundos de pensão de governos estaduais. Apesar de mencionar esses aspectos, Lula não citou o senador Jaques Wagner (PT-BA), cujas relações com o Banco Master estão sob investigação da Polícia Federal (PF).
A PF identificou que Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, mantinha parcerias com Wagner, que atuou como líder do governo no Senado. Os investigadores relataram que Wagner teve 74 contatos com Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025, discutindo pautas legislativas e operações do banco. O senador, no entanto, nega quaisquer irregularidades.
Na mesma conversa, Lula revelou que Vorcaro o procurou para discutir as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master. O encontro, que durou cerca de 20 minutos, ocorreu em 4 de dezembro de 2024 e contou com a presença de Gabriel Galípolo, indicado para a presidência do Banco Central (BC). A reunião, que não estava registrada na agenda oficial da Presidência da República, precedeu a liquidação extrajudicial do banco, decretada em novembro de 2025, em meio a investigações sobre fraudes financeiras.
As apurações seguem em andamento, enquanto os desdobramentos do caso continuam a envolver figuras proeminentes da política brasileira, refletindo as complexas relações entre o PT e o Banco Master.