Filme brasileiro London é laureado em Veneza com nova perspectiva sobre deficiência

O longa London, vencedor do Prêmio Leão Queer no Festival de Veneza, apresenta um protagonista com deficiência.
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O filme brasileiro London conquistou o Prêmio Leão Queer no 83º Festival de Veneza, realizado na Itália, no início de setembro de 2024. A obra cinematográfica narra a história de um jovem que vive com deficiência e se vê diante de um dilema: descobrir o seu diagnóstico ou permanecer ignorando sua condição. A narrativa vai além das questões médicas, apresentando o protagonista como um dominador sexual e explorando a violência que pessoas com deficiência frequentemente enfrentam em contextos de saúde.

O personagem London, interpretado por Victor Di Marco, foi criado em colaboração com o roteirista Márcio Picoli. No filme, ele trabalha em uma casa de fetiches, um espaço que lhe proporciona liberdade e expressão. Em contraposição, o ambiente médico é retratado como um local de controle e violência, desafiando a expectativa de que consultas e tratamentos sejam necessariamente acolhedores.

A produção, dirigida por Picoli e Di Marco, foi filmada em Porto Alegre e aborda a intersecção entre deficiência, sexualidade e acessibilidade. London se destaca ao mostrar que, à noite, o protagonista consegue escapar dos olhares capacitistas da sociedade, sentindo-se verdadeiramente vivo. Em contraste, no ambiente médico, ele enfrenta traumas e medos que permeiam suas experiências.

Márcio Picoli comenta sobre a abordagem do filme, afirmando que a intenção é inverter a percepção comum sobre a sexualidade, que muitas vezes é vista como algo violento. “A gente quis mudar, a gente quis botar violência e o perigo na medicina, nesse olhar perigoso do médico para cima do London, de não respeitar”, explica o diretor. As cenas do filme, sem constrangimentos, mostram o protagonista atendendo clientes submissos, desviando o foco da deficiência e enfatizando uma nova forma de vivenciar o mundo.

Victor Di Marco ressalta que a proposta do filme é apresentar a deficiência como uma linguagem e uma estética, sugerindo que tanto a deficiência quanto a acessibilidade podem ser vistos como aspectos atraentes da vida, além de uma nova forma de fazer cinema. O longa-metragem não se limita a discutir a deficiência, mas sim a retratá-la de maneira a enriquecer a narrativa.

A produção enfrentou desafios durante as gravações, particularmente devido às enchentes que atingiram Porto Alegre em 2024, que interromperam as filmagens. Ao final, os roteiristas descrevem a jornada de London como um “abraço ao desconhecido”, abrangendo desde um novo diagnóstico até questões de identidade e decisões de vida importantes para o protagonista.

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