O Papa Leão XIV expressou, neste domingo, 27, sua desaprovação à legalização da eutanásia e do suicídio assistido na França, solicitando aos bispos do país que se comprometam com a prevenção e reparação de abusos sexuais contra menores na Igreja Católica. As declarações do pontífice ocorreram durante sua visita ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.
"É impossível considerar normal o fato de pôr fim à vida. O que é legal não é necessariamente moral", destacou o papa, que havia criticado anteriormente, na sexta-feira, a proposta de uma morte programada em encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele enfatizou que "lei humana nenhuma deve nos fazer perder a certeza da dignidade" do ser humano, recebendo aplausos dos presentes.
A aprovação da eutanásia e do suicídio assistido pelo Parlamento francês aconteceu em julho, após longas discussões. A votação resultou em 291 votos a favor e 241 contra, mesmo diante da resistência da Igreja Católica, que considerou essa medida como uma "ruptura antropológica".
Em um encontro a portas fechadas com a Conferência Episcopal Francesa, Leão XIV instou os bispos a continuarem firmes na luta contra os abusos sexuais. "Nos últimos anos, vocês enfrentaram com determinação o doloroso flagelo dos abusos contra menores", afirmou, ressaltando a importância da vigilância constante.
Um relatório elaborado por bispos e freiras em 2021 estimou que até 330 mil menores de idade foram vítimas de agressões sexuais na Igreja desde 1950. Durante sua visita, o papa se encontrou com sete vítimas, demonstrando sua preocupação e apoio.
Em um contexto relacionado aos abusos, a diocese de Lourdes cobriu mosaicos na fachada de uma basílica, obras do padre esloveno Marko Rupnik, que enfrenta acusações de abusos por cerca de 20 mulheres, abrangendo violências psicológicas e sexuais ao longo de 30 anos. A cobertura dos painéis visa proporcionar um ambiente seguro para que as vítimas possam retornar ao santuário.