O Prêmio Jabuti anunciou os semifinalistas de sua 68ª edição nesta terça-feira, 29 de setembro. Entre os destaques está o ilustrador Vicente Pessôa, que, após ter sido desclassificado em 2023 por ter utilizado inteligência artificial em suas obras, agora figura na lista de semifinalistas na categoria Capa, concorrendo com a ilustração do livro O Idiota, publicado pelo Clube de Literatura Clássica.
Vicente Pessôa se destaca entre os dez semifinalistas da categoria, que inclui outros nove artistas renomados. Seu retorno ao prêmio é um marco significativo, considerando a controvérsia que rodeou sua desclassificação anterior, quando a Câmara Brasileira dos Livros (CBL) identificou o uso de IA na criação das ilustrações de Frankenstein, obra de Mary Shelley, publicada em 2022.
Na ocasião, a CBL retirou a obra da competição, afirmando que a utilização de inteligência artificial não estava prevista nas regras do regulamento da premiação. O órgão destacou que a questão da IA no processo criativo é um tema que suscita debates globais, especialmente no que diz respeito aos direitos autorais.
A CBL também sinalizou que revisará suas diretrizes para futuras edições do Prêmio Jabuti, buscando adaptar-se à nova realidade tecnológica. Em declarações anteriores, Pessôa mencionou que considera a IA uma ferramenta válida e que sua presença no mercado editorial é inevitável. Durante o lançamento de Frankenstein, ele e Zé Lima, gerente editorial do Clube de Literatura Clássica, discutiram o uso de IA nas ilustrações.
Sevani Matos, presidente da CBL, enfatizou o compromisso da entidade em defender a produção intelectual humana, embora a regulamentação sobre a utilização de IA ainda não esteja bem definida. A CBL está ciente de que a discussão sobre IA no setor editorial é uma questão global e que as diretrizes precisam ser ajustadas para refletir essa realidade.
Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, também reiterou que a IA não é aceita na criação autoral, sendo permitida somente em contextos específicos, como análises no Jabuti Acadêmico. Ele reafirmou a posição da CBL de priorizar a defesa dos direitos autorais e da autoria humana em suas premiações.