O economista Marcos Cintra afirmou que a prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25, tumultuou o processo eleitoral. Em manifestação nas redes sociais nesta segunda-feira, 26, ele declarou que "a suspeita é justificável" em relação à reeleição de Lula da Silva (PT), que venceu Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos.
Cintra, que foi secretário especial da Receita Federal no governo de Jair Bolsonaro, disse não ter como provar fraude, mas também considerou que ninguém tem condição de provar que não houve. Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-advogado de Lula, de estender o horário de votação, afirmando que a medida prejudicou a confiança na democracia.
Ao analisar a campanha, o professor da Fundação Getúlio Vargas atribuiu parte do resultado à diferença de postura entre as campanhas. Segundo ele, a esquerda entrou no segundo turno com senso de urgência, enquanto a direita demonstrou excesso de confiança. Cintra elogiou a comunicação digital da campanha petista e citou o deputado federal André Janones (Rede/MG) como exemplo de mobilização nas redes, apesar de fazer uma avaliação negativa sobre o parlamentar.
O economista também questionou a falta de protagonismo de Paulo Guedes, ministro da Economia durante o governo Bolsonaro, e avaliou que a campanha de Flávio poderia ter explorado melhor a experiência do ex-ministro. Para ele, a candidatura ficou, em alguns momentos, dependente de terceiros na comunicação. Cintra acrescentou que Lula tem uma trajetória política conhecida pelo eleitorado, enquanto Flávio ainda precisava construir sua imagem como candidato.
Apesar das críticas, Cintra rejeitou previsões de colapso do país e afirmou que o Brasil continuará funcionando durante o quarto mandato de Lula, embora considere que o país poderia avançar mais com uma gestão econômica e social diferente. Sobre o Legislativo, espera que o Congresso ofereça resistência às decisões do Executivo, mas pondera que o Centrão costuma adaptar sua posição às circunstâncias políticas. Ele também criticou o volume de emendas parlamentares, que, em sua avaliação, altera o equilíbrio entre os Poderes. Quanto ao futuro da direita, reconheceu a importância de Jair Bolsonaro na consolidação do conservadorismo brasileiro, mas defendeu a atualização de estratégias e formas de atuação.