O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro na quarta-feira (28). O documento foi publicado após a derrota do parlamentar na disputa pela Presidência da República. A declaração foi dada na chegada de Valdemar ao condomínio onde mora o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília.
O dirigente partidário foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a se reunir presencialmente com o ex-presidente. Ao ser questionado sobre o conteúdo da carta de Flávio, Valdemar foi direto: “Não gostei”. Antes, o presidente do PL havia afirmado que teria uma “boa conversa” com Bolsonaro e que levaria muitas novidades para o encontro.
O manifesto divulgado pelo senador passou por alterações antes de chegar à terceira versão. Nas duas primeiras publicações, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na versão mais recente, porém, o parlamentar recuou da afirmação e passou a se descrever como o “líder” do país. No texto, Flávio também elogiou o presidente argentino Javier Milei, destacando sua “coragem, senso de justiça e legalidade”, e classificou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um “grande defensor da liberdade de expressão”.
A carta ainda apresenta uma tese imprecisa para questionar a possibilidade de uma virada eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outro argumento utilizado pelo senador é o de que a extensão do horário de votação até as 19h teria permitido a Lula obter os votos necessários para vencer. No entanto, 34.808 votos foram registrados entre as 17h e as 19h. Extensão que também foi solicitada pela campanha dele.
Em outro trecho do manifesto, Flávio acusa integrantes do Judiciário de promoverem uma perseguição política contra ele. “O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment”, declarou. O senador também rebateu acusações de que teria fugido do Brasil. Na carta, ele afirma que deixou o país para escapar do que classifica como um regime de exceção. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, escreveu. O manifesto também traz comparações entre Flávio Bolsonaro e figuras históricas e políticas, como Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Ao final da carta, o senador reafirma a intenção de liderar a oposição política no Brasil, mesmo estando fora do país. Ele alega que os brasileiros não teriam liberdade suficiente para exercer plenamente a atividade política e promete assumir esse papel. “Sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”.