A China tem ampliado sua presença na infraestrutura espacial na América Latina, conforme destaca um relatório do Congresso dos Estados Unidos. O documento, que aborda a disputa geopolítica entre os EUA e a China, revela que o país asiático está construindo uma rede de instalações espaciais, como antenas de rastreamento e centros de monitoramento orbital, apresentadas como projetos científicos e de cooperação tecnológica.
Entretanto, a situação é mais complexa. Enquanto nas democracias liberais a ciência é vista como um empreendimento autônomo, na China comunista essa separação não existe. Instituições acadêmicas e centros de pesquisa estão interligados a um sistema estatal sob controle do Partido Comunista, onde os objetivos militares e políticos se entrelaçam com a pesquisa científica.
Esse modelo é explicitado no Capítulo 78 do 13º Plano Quinquenal do Partido Comunista Chinês, onde se fala sobre a fusão entre desenvolvimento civil e militar. Essa lógica levanta preocupações sobre a natureza das atividades espaciais da China na região, que podem ter implicações estratégicas.
O Brasil é citado no relatório como um ponto-chave dessa rede, destacando projetos como a Tucano Ground Station. Estabelecida em 2020, essa estação é uma parceria entre a startup brasileira Ayla Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, vinculada ao complexo aeroespacial estatal de Pequim, e tem como objetivo fornecer comunicações entre satélites e solo.

