A influência russa no xadrez mundial persiste apesar das sanções

Arkadi Dworkowitsch, reeleito presidente da Federação Internacional de Xadrez, busca manter o poder russo no esporte, mesmo.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

O cenário do xadrez mundial continua a ser fortemente influenciado pela Rússia, mesmo com as sanções impostas ao país devido à guerra na Ucrânia. Arkadi Dworkowitsch, economista e ex-vice-primeiro-ministro russo, foi reeleito em 2022 como presidente da Federação Internacional de Xadrez (Fide), obtendo uma expressiva maioria dos votos. Sua permanência no cargo representa uma vitória significativa não apenas para o xadrez, mas também para o soft power da Rússia, onde o jogo é amplamente popular.

Dworkowitsch, que lidera a Fide desde 2018, manifestou a intenção de concorrer à reeleição por mais quatro anos. Ele comentou sobre a necessidade da entidade de se tornar “mais aberta, eficiente e ágil”. Apesar da perda da hegemonia russa no xadrez, com campeões mundiais recentes oriundos da China e da Índia, a influência do país ainda é notória dentro da organização.

A Rússia, tradicionalmente, é uma fonte vital de recursos financeiros para a Fide, com patrocinadores significativos como Timur Turlow, um empresário que, embora tenha se tornado cidadão do Cazaquistão em 2022, é originário da Rússia. Turlow também se posiciona como candidato a vice-presidente da Fide, caso Dworkowitsch seja reeleito.

A eleição está agendada para setembro e promete ser competitiva, já que dois candidatos alemães também se inscreveram para a presidência, o que pode resultar em uma disputa acirrada entre três postulantes em um congresso que reunirá cerca de 200 delegados no Uzbequistão. Peter Heine Nielsen, um renomado treinador dinamarquês, considera Dworkowitsch ainda como o favorito, mas alerta que a situação pode mudar rapidamente.

A estabilidade do presidente da Fide pode ser questionada, especialmente porque seu nome permanece atrelado às sanções da União Europeia. Nielsen, que já havia enfrentado Dworkowitsch em 2022, agora apoia Jan Henric Buettner, um empresário que visa aumentar a transparência na organização.

Um aspecto curioso é que, apesar de Dworkowitsch estar concorrendo à reeleição, a Federação Russa de Xadrez não tem permissão para participar da votação, uma vez que o Tribunal Arbitral do Esporte condenou a Federação Russa por organizar eventos em territórios ucranianos ocupados. Isso cria uma situação paradoxal, onde a Rússia observa atentamente as movimentações na Fide, como evidenciado em um relatório positivo sobre a candidatura de Dworkowitsch e um artigo sobre Vadim Rosenstein.

PUBLICIDADE

Relacionadas: