No verão de 1965, o escritor Guillermo Cabrera Infante retornou a Cuba após três anos como adido cultural na Bélgica, a fim de participar do funeral de sua mãe. No entanto, sua estadia foi breve, pois meses depois decidiu voltar para Bruxelas, a cidade que descrevia como sua "Sibéria particular". Cabrera Infante não suportou viver na Cuba de Fidel Castro e faleceu no exílio belga em 21 de fevereiro de 2005, aos 76 anos.
Em seu livro Mea Cuba, Cabrera Infante narra a experiência do retorno à sua terra natal, expressando a estranha sensação de não reconhecer Havana. Ele descreveu a beleza natural da ilha, mas lamentou a morte da história, afirmando que Cuba havia se tornado um reflexo distorcido de si mesma. O autor utilizou a metáfora de uma "lepra" para ilustrar a degradação moral e física que presenciou em sua cidade natal, onde tudo parecia coberto por uma "viscosidade" que simbolizava a deterioração da sociedade.
Essas reflexões sobre a realidade cubana ganham relevância no contexto atual, especialmente quando se observa a postura de líderes como Lula, que, em sua defesa da ilha, parece ignorar as violações de direitos humanos perpetradas pelo regime cubano. A visão de Lula sobre a justiça Em Cuba é emblemática da cosmovisão clássica da esquerda na América Latina, onde a opressão é aceitável, dependendo de quem a exerce.
A retórica de Lula, que caracterizou opositores de regimes alinhados como "bandidos", revela uma tendência preocupante que se reflete em sua defesa de ações repressivas, desde que realizadas por aliados ideológicos. Ele chegou a afirmar que é necessário "respeitar a Justiça cubana", ignorando que tal justiça se transforma em um instrumento de controle que visa eliminar qualquer forma de dissenso.
A insistente defesa de Cuba por parte de Lula não deve ser vista apenas como um erro político, mas como uma manifestação de uma moralidade deteriorada. A visão de Cuba, como expressa por Cabrera Infante, é um lembrete do que foi perdido e do que continua a se deteriorar sob regimes autoritários. Assim, a postura do ex-presidente reflete uma lepra moral que se recusa a ser removida, evidenciando a complexidade das relações políticas na América Latina.
Essa realidade destaca a necessidade de um debate mais profundo sobre a moralidade da defesa de regimes considerados opressores, ressaltando a importância de reconhecer a opressão independentemente de sua origem ideológica. A história de Cuba e a visão de Cabrera Infante servem como um alerta sobre os riscos de se normalizar a repressão sob a justificativa de ideais políticos.

