O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, emitiu uma ordem nesta terça-feira (30) para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise as informações obtidas pela Polícia Federal nos celulares do advogado Frederick Wassef. Esses dados foram encontrados durante investigações relacionadas ao caso das joias que foram recebidas por autoridades estrangeiras no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal informou que as informações surgiram de maneira incidental durante a análise dos aparelhos.
Os investigadores consideraram os achados como "eventos fortuitos", pois não possuem relação direta com o foco principal da apuração. A PGR terá um período de 15 dias para avaliar o conteúdo encontrado e se manifestar sobre possíveis "hipóteses criminais" decorrentes dos dados localizados.
Além disso, a decisão de Moraes determina que o material seja desmembrado do inquérito principal, passando a tramitar de forma autônoma e sigilosa. Essa medida segue a orientação da própria PGR, que já havia concordado com a separação do conteúdo, considerando que não há conexão com a investigação central.
Em um contexto mais amplo, a Procuradoria havia defendido o arquivamento do inquérito principal, que investiga a suposta apropriação de presentes recebidos por autoridades brasileiras, alegando a ausência de legislação específica que tipifique o crime. Agora, a análise da PGR ficará restrita ao conteúdo extraído dos celulares apreendidos.
Frederick Wassef, em nota, expressou que suas prerrogativas como advogado foram violadas durante a busca e apreensão, questionando a legalidade da operação. Ele mencionou que a busca durou quatro horas e meia, sem a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O advogado também criticou a forma como a ação foi conduzida, afirmando que houve descumprimento de uma decisão judicial que determinava a presença de um representante da OAB durante a busca. Wassef destacou que essa situação afronta a classe dos advogados do Brasil e cria um precedente perigoso, considerando a busca e apreensão nula e ilegal.

