O ex-conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, apresenta seu depoimento nesta quarta-feira (29) ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA. A audiência investiga se Fauci forneceu informações falsas ao Congresso sobre a origem da pandemia da Covid-19.
Na véspera da audiência, o senador republicano Rand Paul, que preside o comitê, divulgou mais de 1.100 páginas do diário pessoal de Fauci, contendo notas feitas entre 2019 e 2022. Esses documentos incluem registros sobre as origens do coronavírus, os bastidores da ação da Casa Branca durante a pandemia e relatos sobre as aparições públicas do ex-conselheiro em relação à crise sanitária e outros surtos.
Um dos trechos do diário menciona uma teleconferência realizada em 1º de fevereiro de 2020, onde cientistas de renome discutiram a possibilidade de uma “inserção deliberada” no vírus. Essa hipótese sugere que pesquisadores do laboratório de Wuhan, na China, poderiam ter modificado geneticamente o coronavírus ao adicionar intencionalmente uma proteína spike.
O diário revela que parte dos cientistas presentes considerava essa possibilidade plausível, citando o trabalho do Dr. Zheng-Li Shi, da Universidade de Wuhan, que realizava pesquisas de ganho de função com coronavírus para adaptar a proteína spike ao receptor ACE2 humano. Fauci anotou: “Não podíamos deixar isso passar”.
Além disso, foi registrado que, um dia antes da teleconferência, os cientistas expressaram preocupação de que a “proteína spike” não poderia ter surgido de forma natural, uma vez que exigiria um salto evolutivo não observado em nenhum isolado de morcego. Fauci anotou que havia a possibilidade de que a proteína tivesse sido inserida deliberadamente e liberada, seja acidentalmente ou intencionalmente, destacando que a primeira hipótese parecia mais provável.
Embora tenha reconhecido essas dúvidas em conversas privadas, Fauci, em declarações públicas, rejeitou a hipótese de vazamento do laboratório de Wuhan, considerando as alegações como “argumentos circulares”, um termo para descrever uma argumentação que usa a própria conclusão como justificativa.

