Argentina registra aumento de casos e mortes por hantavírus e investiga surto em cruzeiro

O Ministério da Saúde da Argentina anunciou 101 casos de hantavírus na atual temporada, com 32 mortes.
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A temporada epidemiológica de hantavírus Na Argentina, que se estende de junho a junho, já contabiliza 101 casos, quase o dobro dos 57 registrados no mesmo período do ano anterior. O Ministério da Saúde do país informou que, destes casos, 32 resultaram em mortes, indicando uma taxa de letalidade de 31,7%. Essa situação se agrava com a investigação em curso sobre um surto identificado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril e contabiliza três mortes e seis casos suspeitos entre passageiros e tripulantes.

As autoridades de saúde, incluindo a OMS, consideram a possibilidade de que a infecção dos passageiros tenha ocorrido antes do embarque, possivelmente em Ushuaia. A diretora de Prevenção e Preparação para Epidemias da OMS, Maria Van Kerkhove, destacou que o vírus apresenta um período de incubação que varia entre uma e seis semanas, o que reforça a hipótese de que as infecções se deram em terra, antes da partida do cruzeiro.

Historicamente, a Terra do Fogo não apresentava casos de hantavírus desde 1996, e a província de Santa Cruz também não registrava ocorrências há sete anos. Diante desse contexto, as autoridades estão concentradas em reconstruir o itinerário dos passageiros infectados antes de chegarem ao porto de Ushuaia.

Dentro do contexto da hantavirose, destaca-se a variante andina, que pode ser transmitida entre humanos em circunstâncias específicas, como demonstrado em um surto anterior em Chubut, em 2018. Naquele evento, uma festa de aniversário resultou na contaminação de mais de 50 pessoas, levando a 15 mortes. A análise de sequenciação do vírus encontrado no cruzeiro está sendo realizada para identificar a variante envolvida e determinar se houve transmissão entre os passageiros ou se todos foram expostos a uma mesma fonte antes do embarque.

O biólogo e pesquisador do Conicet Raúl González Ittig comentou que o aumento nos casos não indica uma situação atípica, pois a Argentina registra casos de hantavírus anualmente. O especialista destacou que o número elevado de casos reflete condições climáticas e comportamentais que aumentam o contato entre populações rurais e roedores, sem que isso signifique uma emergência sanitária de novo tipo. O vírus é considerado endêmico em várias províncias argentinas, com maior concentração em áreas rurais do centro e sul do país.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde do Brasil fez um alerta, ressaltando que a hantavirose é uma doença de notificação compulsória imediata no país. A notificação deve ser feita em um prazo de 24 horas às autoridades de saúde, e não há tratamento específico para a infecção. O manejo dos casos é realizado com medidas de suporte, geralmente em UTI. Desde 1993, o Brasil registra 2.376 casos de hantavírus, com uma taxa de letalidade próxima a 40%, predominantemente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O aumento de casos Na Argentina e o surto no cruzeiro reforçam a necessidade de vigilância ativa nas áreas de fronteira com o país vizinho.

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