Dra. Fernanda Ronchi é oncologista clínica, professora da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) e chefe do serviço de Oncologia do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM)
Quando falamos em câncer de pulmão, normalmente as pessoas remetem ao cigarro. Sim, o tabagismo é o principal fator de risco, sendo que aproximadamente 85% dos casos são ligados a este hábito. Porém, ele não é o único responsável pela doença, que inclusive tem diversas particularidades. Pensando nisso, neste conteúdo, eu trago alguns fatos que todos precisam saber.
Todos os produtos do tabaco elevam as chances para os tumores pulmonares. Isso inclui os vapes, cada vez mais consumidos, especialmente pelo público jovem, além de narguilé, cachimbo, charuto e cigarros artesanais, por exemplo. Ou seja, nenhum dos produtos do tabaco é seguro para a saúde.
O fumo passivo também é um vilão. Quem convive perto de quem fuma também tem a saúde prejudicada. Para se ter ideia, os fumantes passivos têm uma chance cerca de 30% maior de desenvolver câncer de pulmão do que pessoas não expostas à fumaça.
Há outros fatores de risco a considerar. Mesmo aqueles que não estão envolvidos de forma alguma com o tabagismo estão sujeitos a essa neoplasia. Outros fatores de risco a citar são:
histórico familiar de câncer de pulmão;
idade avançada;
exposição a substâncias como radônio, arsênico, cromo, níquel, fuligem e amianto;
radioterapia anterior na região do tórax;
poluição do ar;
doenças pulmonares como a tuberculose, enfisema e bronquite crônica.
Existem diferentes tipos de câncer de pulmão. A doença pode ser dividida em dois grandes grupos: carcinoma de células pequenas e carcinoma de células não pequenas. Este último, por sua vez, é composto por três subtipos principais: adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de grandes células.
Ter o conhecimento sobre a classificação dos tumores ajuda a nós, oncologistas, na definição do melhor tratamento para cada paciente. Os sintomas podem confundir. Na maioria dos casos, o câncer de pulmão não apresenta sintomas nas fases iniciais. E, quando passar a dar sinais, estes podem ser confundidos com doenças respiratórias benignas. Veja alguns deles:
tosse persistente;
tosse com sangue;
dor e chiado no peito;
sensação de falta de ar;
alterações na voz como rouquidão;
infecções respiratórias recorrentes;
sensação de fadiga ou fraqueza.
Se os sintomas forem persistentes, é importante procurar um médico para avaliação. Afinal, quando se trata do câncer, quanto antes for o diagnóstico, melhores são os resultados com o tratamento.
Fumantes e ex-fumantes devem fazer o rastreamento da doença. Se você faz parte deste grupo e ainda não sabia disso, procure um pneumologista para dar início ao rastreio.
Para serem candidatos, homens e mulheres devem ter a partir de 50 anos de idade e uma carga tabágica acima de 20 anos-maço (basta multiplicar o número de maços fumados por dia pelo número total de anos de tabagismo). Ex-fumantes, por sua vez, devem ter parado há menos de 15 anos. Por exemplo: ter fumado 1 maço de cigarros ao dia por no mínimo 20 anos, ou 2 maços ao dia por 10 anos.
O câncer de pulmão está entre os tipos de câncer que mais causam mortes no mundo, mas muitos casos podem ser evitados com hábitos saudáveis e cuidados preventivos. Não fumar é a principal forma de proteção. Além disso, evitar a exposição ao cigarro passivo, praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada e realizar consultas médicas periódicas são atitudes que fazem a diferença.
Cuide da sua saúde. Respire qualidade de vida.

