Atlas Investiga Flávio Bolsonaro, mas Ignora Lula em Nova Pesquisa

Uma recente pesquisa do instituto Atlas questiona a ligação de Flávio Bolsonaro ao caso Master, mas deixa.
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Foto: Atlas-Bloomberg

Na manhã de 19 de maio de 2026, às 09h43, foi divulgada uma nova pesquisa presidencial realizada pelo instituto Atlas. O estudo inclui nove perguntas que associam Flávio Bolsonaro ao caso Master, utilizando até um áudio enviado pelo senador ao banqueiro Daniel Vorcaro para avaliar a percepção dos entrevistados sobre o assunto. Essa abordagem inédita será contestada no Tribunal Superior Eleitoral pela equipe de campanha do senador.

Após questionar publicamente a imparcialidade da pesquisa, Andrei Roman, CEO da Atlas, sugeriu a inclusão de algum áudio ou vídeo relacionado a Lula para futuras pesquisas. Essa proposta parece ser uma tentativa retórica de demonstrar isenção. No entanto, se realmente houvesse um compromisso com a neutralidade, o instituto já teria investigado o papel de Lula e do PT no caso Master.

Diversos relatos já trouxeram à tona encontros discretos entre Lula e o banqueiro Vorcaro, além de apoio financeiro e institucional à farmacêutica vinculada ao banqueiro. Também foram mencionados os contratos de Guido Mantega e Ricardo Lewandowski e as relações de Rui Costa e Jaques Wagner com Augusto Lima e Daniel Monteiro, sócio e advogado de Vorcaro. Com tantas evidências, uma pesquisa poderia ter sido elaborada exclusivamente com questionamentos sobre esses tópicos.

Desde o início do escândalo, o Atlas evitou incluir Lula e os membros do PT em questões que poderiam causar constrangimento. Antes desta pesquisa sobre Flávio, o tema foi abordado apenas em um levantamento realizado em março, que tratou da confiança do brasileiro no Supremo Tribunal Federal. Mesmo nesse estudo, as perguntas eram majoritariamente genéricas, sem referências ao contrato de R$ 129 milhões de Viviane Barci ou à aquisição da participação de Dias Toffoli no resort Tayayá.

No caso de Flávio, a pesquisa apresenta perguntas com gatilhos emocionais claros. O instituto questiona qual grupo político estaria “mais envolvido” no escândalo, sem oferecer informações sobre as acusações contra outros envolvidos. Além disso, indaga se o áudio de Flávio surpreendeu, se demonstra seu envolvimento direto no escândalo e até se ele deveria desistir da candidatura à Presidência.

Embora seja possível analisar a pesquisa sob a perspectiva da percepção pública em relação ao suposto envolvimento de Flávio no caso Master, é importante destacar que essa percepção é amplamente influenciada por uma campanha intensa na mídia, financiada pela Secom de Lula.

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