A produção de livros didáticos em Braille para o ano letivo de 2027 enfrenta riscos de atrasos devido à não publicação do edital que autoriza a fabricação do material. A Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência (Abridef) destacou que a ausência do edital pode comprometer o cronograma de entrega dos livros às escolas.
A entidade explica que a produção de um livro em Braille-tinta demanda entre seis e nove meses. Este processo inclui etapas como transcrição, revisão técnica, impressão em papel especial e distribuição. Sem a publicação do edital, nenhuma dessas fases poderá ser iniciada, o que gera grande apreensão entre as partes envolvidas.
A Abridef expressou sua preocupação em evitar a repetição do que ocorreu neste ano, quando milhares de estudantes cegos iniciaram o ano letivo sem acesso ao material didático. O presidente da associação, Rodrigo Rosso, lembrou que no ano anterior a entidade alertou sobre o mesmo risco, mas não foi ouvida a tempo, resultando em uma crise pedagógica que afetou cerca de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão, conforme estimativas do IBGE.
Rodrigo Rosso enfatizou que a questão não se refere à capacidade de produção, mas sim à falta de previsibilidade no início dos contratos. "O processo é conhecido, estruturado e tecnicamente dominado pela cadeia produtiva. O que pesa é a previsibilidade contratual. Quando o edital não sai dentro da janela adequada, o cronograma inteiro trava", afirmou.
A distribuição dos livros em Braille é realizada na mesma estrutura logística utilizada para livros didáticos convencionais, o que requer um planejamento antecipado para atender à demanda nacional. Para a Abridef, a publicação do edital ainda neste período é crucial para garantir que os materiais estejam disponíveis no início do próximo ano letivo e para evitar que estudantes cegos sejam prejudicados novamente.
"Garantir que não haja um novo 'Braille zero' exige previsibilidade, transparência e contratos compatíveis com a demanda nacional. O debate precisa ser técnico e responsável", concluiu Rosso.

