O Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados da 1ª edição da Prova Nacional Docente (PND), que revelou que 35% dos professores avaliados não atingiram o nível mínimo de proficiência necessário para dar aulas. A avaliação, comparada ao "Enem dos professores", foi publicada em 21 de maio de 2026, com dados que mostram o desempenho preocupante de mais de um terço dos docentes.
Dos 760.118 professores que participaram da prova, 266.322 obtiveram menos de 50 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, um índice considerado insuficiente pelo MEC. As disciplinas com os piores resultados foram Matemática, onde 54,1% dos docentes não atingiram o nível básico, e Artes, com 50,1% de não proficientes. Letras também apresentou um desempenho negativo, com 39,3% dos professores abaixo da média, seguido por Pedagogia (37,2%) e Educação Física (30,8%).
As áreas que tiveram o melhor desempenho foram Ciências Humanas, com 19,8% de professores não proficientes, e Ciências, com 21,6%. A prova foi aplicada em 17 licenciaturas, envolvendo tanto concluintes quanto profissionais já formados, e teve participação de 1.508 municípios, incluindo 18 capitais e 22 redes estaduais. Embora a avaliação não seja obrigatória para a carreira docente, os resultados poderão ser utilizados nos processos seletivos pelos estados e municípios.
O MEC classificou os docentes aprovados em dois níveis: o "Padrão 1", que inclui profissionais com capacidade mínima para planejamento e avaliação pedagógica, e o "Padrão 2", que abrange aqueles considerados plenamente aptos para conduzir metodologias e avaliações. Entre os 493.796 professores considerados proficientes, apenas 183.983 alcançaram o padrão mais elevado, o que representa 37,2% do total de aprovados.
Leonardo Barchini, representante do MEC, afirmou que a análise dos resultados será aprofundada para direcionar as políticas de formação continuada. O governo também está revisando as diretrizes para cursos de licenciatura, especialmente no que se refere à modalidade de Educação a Distância (EAD). Atualmente, os cursos EAD devem seguir uma regra que determina que 30% da carga horária seja presencial, enquanto 20% podem ser presenciais ou por aulas ao vivo.
O Conselho Nacional de Educação (CNE) continua em discussão sobre novas regras para os cursos de licenciatura, com uma proposta que deve ser votada em 23 de junho. A proposta atual sugere que, no mínimo, 50% da carga horária seja presencial e propõe exigências mais rigorosas para estágio supervisionado.

