Câmara Americana de Comércio alerta para consequências do tarifaço dos EUA ao Brasil

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil avalia que a nova tarifa de 25% sobre produtos.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) manifestou preocupação com a recente decisão dos Estados Unidos de implementar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, prevendo um impacto "muito negativo" nas relações comerciais entre os dois países. A medida, que entrará em vigor em 22 de julho, coloca o Brasil em uma posição desfavorável, tornando-se um dos países com as condições de acesso mais restritivas ao mercado norte-americano.

Estima-se que a nova tarifa afete mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio brasileiro. Em sua nota oficial, a Amcham destacou que essa ação contrasta com o superávit comercial crescente dos EUA com o Brasil, que deverá alcançar US$ 41,8 bilhões em bens e serviços até 2025. Além disso, a entidade observou que as tarifas aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos são relativamente baixas.

Os Impactos do Tarifaço, segundo a Amcham, vão além do comércio bilateral. A nova taxa poderá elevar os custos para empresas e consumidores nos Estados Unidos, reduzindo a competitividade de indústrias que dependem de insumos brasileiros. Essa situação pode também aumentar a dependência de fornecedores asiáticos e restringir a cooperação entre os dois países.

A Amcham projeta que o comércio bilateral, que já sofreu uma queda de 13% neste ano, pode enfrentar um novo recuo devido a essa medida. A entidade alerta que a situação poderá ainda desincentivar investimentos mútuos. Diante desse cenário, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, expressou a necessidade de manter canais de diálogo abertos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.

"Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirmou Neto.

Apesar das preocupações, a Amcham considerou positiva a isenção de sobretaxas para determinados produtos, como carne bovina, café, laranja, partes para aviões, petróleo e celulose. A entidade também solicitou a criação de um mecanismo que permita a exclusão de outros produtos dessa tarifa.

PUBLICIDADE

Relacionadas: