Candidata do Die Linke em Berlim admite temor de apoiadores do Hamas no próprio partido

Elif Eralp revelou em mensagens vazadas que teme por sua segurança e a da família devido à.
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A candidata do Die Linke à Prefeitura de Berlim, Elif Eralp, declarou em mensagens privadas que teme pela própria segurança e pela de sua família por causa da presença de apoiadores do Hamas no ambiente político de seu partido. O conteúdo foi divulgado pela revista alemã Der Spiegel na quinta-feira 29.

O caso veio à tona após uma entrevista de Eralp à publicação. Quando recebeu a transcrição para revisão, sua equipe tentou retirar uma pergunta que mencionava o ativista palestino Ibrahim Ibrahim e a resposta afirmativa da candidata. O documento devolvido, no entanto, continha comentários internos em que Eralp dizia: "Não posso colocar a mim mesma e minha família em perigo por causa da Der Spiegel". Ela também afirmou que tanto ela quanto o marido têm medo dessas pessoas e que já havia recebido orientações da polícia criminal de Berlim para evitar citar publicamente certos indivíduos. Diante da situação, a candidata chegou a perguntar se seria possível cancelar a entrevista, mas a revista decidiu publicar as mensagens por considerar que tinham relevância política.

Ibrahim Ibrahim, de 69 anos, é apontado por organizações de monitoramento como apoiador da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), classificada como terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Ele atua no Comitê Nacional Palestino Unido, sigla alemã VPNK, que, segundo os serviços de inteligência de Berlim, reúne apoiadores de organizações extremistas palestinas, incluindo o Hamas e a FPLP. Em 2025, durante uma manifestação na capital alemã, Ibrahim teria homenageado Yahya Sinwar, um dos principais responsáveis pelo planejamento dos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que deixaram cerca de 1.200 mortos. Sinwar foi eliminado pelas forças israelenses em outubro de 2024. Ainda assim, Ibrahim foi visto em setembro deste ano em uma comemoração eleitoral do Die Linke no bairro berlinense de Neukölln.

A controvérsia ocorre em meio a acusações de tolerância ao antissemitismo enfrentadas pelo Die Linke. O partido, que reúne setores da esquerda radical alemã, precisa agora responder a questionamentos sobre a presença, em seu próprio ambiente, de indivíduos associados ao extremismo islamista. Eralp, que pretende governar Berlim, terá de convencer eleitores e possíveis parceiros de coalizão de que será capaz de enfrentar publicamente os mesmos grupos que, em privado, afirmou temer.

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