Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), revelou que a divulgação de áudios entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro impactou negativamente a pré-candidatura do parlamentar à presidência. Segundo o levantamento, 64,1% dos entrevistados acreditam que o episódio prejudicou politicamente Flávio. Desses, 45,1% afirmaram que a divulgação dos áudios "enfraqueceu muito" sua pré-candidatura, enquanto 19% consideraram que o impacto foi leve.
A pesquisa também apontou que 15% dos eleitores disseram que as conversas não influenciaram sua futura candidatura, e 13,4% acreditam que a crise teve um efeito de fortalecimento para Flávio, conhecido como filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os áudios, que foram revelados na semana passada pelo site The Intercept Brasil, mostram o senador solicitando recursos ao banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Do total de R$ 134 milhões solicitados, ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos ao projeto.
Flávio Bolsonaro, em nota, confirmou ter feito o pedido de recursos a Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade ou recebimento de vantagens indevidas. A repercussão do caso também refletiu nas intenções de voto do senador, que registrou uma queda significativa após a divulgação dos áudios. A pesquisa indicou que ele perdeu 5,4 pontos percentuais nas simulações para o primeiro turno e seis pontos percentuais nos cenários de segundo turno, em comparação ao levantamento anterior realizado em abril.
Com essa mudança, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem nas simulações. O levantamento ainda revelou que 95,6% dos entrevistados estavam cientes dos áudios e mensagens entre Flávio e Vorcaro, e 93,9% ouviram o pedido de recursos do senador ao banqueiro. Entre os eleitores que tiveram conhecimento do vazamento, 65,2% afirmaram não ter se surpreendido com as informações, enquanto 51,7% consideram que as gravações evidenciam um envolvimento direto de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master.
Além disso, 47,1% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio, independentemente das mensagens vazadas, enquanto 21% disseram que as revelações não afetaram sua disposição em apoiá-lo. A pesquisa também mostrou que 12,1% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro deveria desistir da candidatura presidencial. O levantamento foi realizado com 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%, estando registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.

