A China deu início a um ciclo de exercícios militares que se estenderá por dois dias, com o uso de munição real, em áreas adjacentes ao Estreito de Taiwan. As operações começaram nesta quinta-feira, 23, nas proximidades da costa da província de Fujian, localizada no sudeste do país.
As atividades militares foram programadas um dia após um encontro entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler chinês, Wang Yi. Durante a reunião, os dois líderes abordaram, entre outros temas, a situação delicada em torno de Taiwan.
De acordo com informações das autoridades marítimas da China, os exercícios acontecerão diariamente entre 6h e 18h no horário local (19h às 7h em Brasília), nas proximidades da Ilha Dongshan, uma área considerada estratégica devido à sua localização em relação ao estreito que separa a China continental de Taiwan.
Em resposta a essas manobras, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan manifestou sua condenação e fez um apelo a Pequim para que pratique "autocontenção racional", interrompendo as "provocações militares" e as incursões na chamada "zona cinza". O governo taiwanês ressaltou que a China está ameaçando a estabilidade regional ao aumentar sua presença militar nas proximidades da ilha.
Esses novos exercícios ocorrem em um contexto de intensificação das tensões entre Pequim, Taipé e Washington. Em dezembro do ano passado, a China havia realizado seus maiores exercícios militares na região de Taiwan, que se seguiram ao anúncio dos Estados Unidos sobre um pacote de vendas de armas no valor de US$ 11,1 bilhões para a ilha. Taiwan, que não reconhece as reivindicações de soberania da China, se opôs a essas ações.
Naquela ocasião, o Exército chinês executou disparos de foguetes em áreas marítimas ao norte e ao sul de Taiwan, em um treinamento que durou cerca de dez horas. A situação atual reiteradamente evidencia a complexidade e a fragilidade das relações entre os envolvidos, à medida que as manobras militares se tornam cada vez mais frequentes na região.

