O ex-ministro Ciro Gomes, que é pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, afastou nesta sexta-feira (22) qualquer interpretação que vincule sua aproximação com o PL no estado ao apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Ciro enfatizou que o PSDB, partido ao qual pertence, não pode ser acusado de apoiar um candidato de outra legenda. Ele destacou que o entendimento com o PL é centrado na agenda do Ceará e não em compromissos nacionais.
A aliança entre Ciro e o PL foi estabelecida para apoiar a candidatura ao governo do Ceará, especialmente diante da concorrência com o PT, que lança o atual governador Elmano de Freitas à reeleição. O acordo regional prevê que o PL abra espaço para candidatos ao Senado na chapa liderada por Ciro, mas não implica um apoio mútuo nas eleições presidenciais.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, manifestou que um palanque compartilhado entre Ciro Gomes e Flávio Bolsonaro poderia ser prejudicial para ambos. Ele afirmou que dividir o mesmo palanque não seria benéfico, indicando que essa estratégia poderia afetar negativamente as candidaturas.
Dentro do PL, a avaliação é de que Flávio Bolsonaro não possui uma base política sólida no Ceará. Fontes dentro do partido e no entorno de Ciro consideram praticamente impossível que Flávio compartilhe um palanque com o pré-candidato tucano, ressaltando que a aliança regional deve servir especificamente ao Ceará e não ser transferida para a esfera nacional.
Desde o início, a aproximação entre Ciro e o PL enfrentou resistência interna, especialmente por parte da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se opôs à aliança. Ela afirmou que Ciro não é e nunca será um político de direita, caracterizando-o como um opositor ao governo Bolsonaro.
Ciro Gomes se destaca nas pesquisas eleitorais no Ceará, especialmente em um cenário sem a presença de Camilo Santana, do PT. A Pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril mostra Ciro bem posicionado tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições estaduais.

