A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação na manhã de 07 de maio de 2026, visando o senador Ciro Nogueira, do Partido Progressista (PP-PI). A investigação aponta que o parlamentar recebia repasses mensais de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em valores que oscilavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
As evidências surgiram a partir de diálogos interceptados que foram utilizados para fundamentar a ação contra Nogueira. As mensagens, que envolvem Daniel Vorcaro e seu primo Felipe Cançado Vorcaro, que atua como operador financeiro, detalham a dinâmica da parceria conhecida como “parceria BRGD/CNLF”. Nesse esquema, a empresa BRGD S.A., pertencente à família Vorcaro, transferia recursos para a CNLF Empreendimentos, que é um veículo patrimonial do senador.
Em um dos diálogos, datado de janeiro de 2025, Felipe Cançado mencionou ao banqueiro as dificuldades em manter o fluxo dos repasses, alegando um “aumento dos pagamentos” ao “parceiro brgd”. Essa comunicação revelou um contexto financeiro em que a regularidade dos repasses estava sob pressão.
Em junho de 2025, Daniel Vorcaro expressou preocupação com um atraso de dois meses nos repasses destinados a Ciro Nogueira. Felipe, ao ser questionado sobre a continuidade dos pagamentos, indagou: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indicando uma possível alteração nos valores mensais que estavam sendo transferidos.
A PF, em sua análise, concluiu que Ciro Nogueira utilizou seu mandato parlamentar para favorecer os interesses privados de Vorcaro, recebendo vantagens econômicas indevidas em troca de sua atuação. A investigação levanta questões sérias sobre a ética e a legalidade das relações financeiras entre o senador e o empresário, além do impacto disso na condução de sua função pública.

