O pesquisador Carlos Nobre foi nomeado pelo Papa Leão XIV para compor o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. O anúncio ocorreu em 30 de outubro, e Nobre é o único brasileiro entre os especialistas selecionados para assessorar o órgão. Ele soube da nomeação enquanto estava em viagem para dar uma conferência sobre ecossistemas.
Nobre destacou a importância da decisão do Vaticano em priorizar o debate ecológico, afirmando que a emergência climática atual representa um risco para todos. O climatologista acredita que a Igreja Católica pode sensibilizar a sociedade civil sobre a proteção das populações vulneráveis em meio ao aquecimento global, ressaltando que o futuro da humanidade está em jogo.
O conhecimento de Nobre sobre o bioma amazônico foi fundamental para sua escolha. Formado em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e possuidor de doutorado no Massachusetts Institute of Technology, Nobre começou sua carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em 1983. Sua tese sobre a transformação da floresta tropical em savana ao longo dos anos rendeu-lhe reconhecimento internacional.
Além de sua nova posição no Vaticano, Nobre foi eleito membro da Royal Society em 2022, uma honra que não era concedida a um brasileiro desde o século XIX. Ele já havia dialogado com a liderança da Igreja durante o Sínodo da Amazônia, em 2019, discutindo a inclusão de questões ambientais nas diretrizes religiosas. O novo conselheiro pretende unir sua experiência técnica com as iniciativas sociais do Vaticano, apelando pela colaboração entre ciência e fé para enfrentar os desafios do futuro.

