A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou um novo desdobramento nesta quarta-feira (9), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu cancelar a sessão plenária de julgamentos agendada para o dia. Os demais ministros foram informados sobre a decisão, mas não houve explicações adicionais sobre os motivos para o cancelamento.
Além disso, Fachin optou por não participar da abertura de uma audiência pública do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estava marcada para a mesma manhã e que abordaria normas e políticas relacionadas à gestão de precatórios. Até o momento, não há previsão de uma nova reunião entre os integrantes do STF para discutir o impasse atual.
A tensão entre os ministros aumentou após o ministro Flávio Dino determinar a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, aos seus cargos, depois de terem sido afastados por uma decisão do ministro André Mendonça. A decisão de Dino, anunciada nesta quarta-feira, gerou reações em uma parte do Supremo, que considera que o ministro teria desrespeitado a autoridade de Fachin.
No dia anterior, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia recorrido da decisão de Mendonça, utilizando um instrumento jurídico que conferia ao presidente do STF a responsabilidade pela análise sobre o futuro de Andrei Rodrigues. Fachin, por sua vez, havia solicitado que Mendonça apresentasse sua manifestação em até 72 horas antes de continuar a análise do caso, prazo que começou a contar na quarta-feira.
Diante do novo episódio, interlocutores de Mendonça afirmam que a decisão de Dino não apenas afronta a ordem do ministro, mas também a própria Segunda Turma do STF, que já havia se manifestado sobre o caso, mesmo com o pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Fontes informaram que Mendonça procurou Fachin na quarta-feira, solicitando que o presidente da Corte tomasse providências para restaurar a ordem entre os ministros, em meio ao crescente conflito que envolve diretamente a atuação da Polícia Federal e investigações ligadas ao Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).