O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (11), a continuidade do processo contra a deputada Erika Hilton (Psol-SP). A decisão, que contou com 10 votos a favor e 5 contra, permite que a representação siga sua tramitação no colegiado. Entretanto, o calendário eleitoral impõe desafios, uma vez que o prazo para finalizar o processo é reduzido, com a expectativa de conclusão ainda em 2026.
A situação se complica pelo cronograma da Câmara, que terá apenas mais uma semana de sessões antes do período eleitoral, que se intensifica em outubro. O primeiro turno das eleições está agendado para o dia 4 de outubro, e o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Com o encerramento do ano legislativo em dezembro, qualquer representação que não for finalizada até lá será arquivada.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) comentou sobre a urgência da situação, ressaltando que a proximidade das eleições deve influenciar a tramitação dos processos. "Com 50 dias até a renovação total da Câmara dos Deputados, o supremo juiz de todos nós é a cidadã e o cidadão. Portanto, qualquer processo aqui neste Conselho provavelmente não acabará antes do dia 4 de outubro", afirmou Alencar, destacando a relevância desse fator nas discussões do colegiado.
A votação realizada validou o relatório preliminar e deu início à fase de apuração da representação contra Erika Hilton. O deputado Gilberto Silva (PL-PB), relator do caso, é responsável por definir as próximas etapas, incluindo a possibilidade de a deputada apresentar sua defesa, indicar testemunhas e solicitar a produção de provas. Após essa fase, o relator deverá elaborar um novo parecer recomendando a aplicação ou não de punição.
O Conselho de Ética possui um prazo máximo de 90 dias para analisar os processos. As penalidades que podem ser aplicadas variam de acordo com a gravidade da infração e incluem advertência verbal, censura por escrito, suspensão de prerrogativas parlamentares, suspensão do mandato ou até cassação, sendo as últimas opções dependentes de votação no plenário.
Apesar da aprovação do processo, Erika Hilton se manifestou a respeito, afirmando não se importar com a opinião pública negativa e que a opinião de "imbeCIS" é a última coisa que lhe importa. A representação contra a deputada argumenta que suas declarações configurariam quebra de decoro parlamentar, alegando que ela não estaria exercendo seu mandato com dignidade e respeito à vontade popular.

