Em uma delação premiada, o banqueiro Daniel Vorcaro revelou a existência de um contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O objetivo desse acordo era estabelecer uma relação mais próxima com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contrato, que tinha uma duração prevista de três anos, estipulava pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, quantia significativamente superior aos honorários pagos a outros advogados do banco. Ao longo de 22 meses, até novembro de 2024, Viviane Barci de Moraes recebeu cerca de R$ 80 milhões. O vínculo foi encerrado devido à liquidação do Banco Master.
De acordo com o escritório de Viviane, durante a vigência do contrato foram realizadas 94 reuniões e elaborados 36 pareceres legais. No total, contabilizaram-se 267 horas de trabalho efetivo durante o período em que o acordo esteve ativo.
Apesar de admitir que o contrato de R$ 129 milhões serviu como um meio de aproximação com o ministro do STF, Vorcaro negou qualquer tipo de troca de favores com Alexandre de Moraes. O banqueiro também destacou que esse não foi o maior contrato assinado pelo Banco Master, sugerindo que a instituição possuía acordos ainda mais significativos com outros prestadores de serviços.
O desdobramento deste caso traz à tona questões sobre a relação entre o setor financeiro e membros do Judiciário brasileiro, gerando discussões acerca da transparência e dos potenciais conflitos de interesse que cercam o STF.

