Crescimento da produção industrial no Paraná em junho não impede retração semestral

O Paraná apresentou um crescimento de 2,8% na produção industrial em junho, superando a média nacional, mas.
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A produção industrial do Paraná teve um aumento de 2,8% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, superando a média nacional, que foi de 1,7%. Os dados foram obtidos da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada em 11 de agosto de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar desse resultado positivo em junho, o primeiro semestre fechou com uma queda acumulada de 0,6%, enquanto a indústria brasileira obteve um avanço de 1,5% no mesmo período, evidenciando que a indústria paranaense ainda passa por um processo de desaceleração.

Em relação a maio, a produção industrial no Paraná apresentou uma retração de 0,8%, desempenho que foi melhor do que o registrado no âmbito nacional, onde a queda foi de 1,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria paranaense mostra uma diminuição de 1,2%, enquanto a média nacional aponta para um crescimento de 0,7%. O estado ocupa a quinta posição entre os estados em desempenho no mês de junho, mas encontra-se na décima colocação no acumulado do ano, o que revela uma recuperação desigual.

Evânio Felippe, economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), destaca que os dados refletem as consequências de uma política monetária restritiva que foi aplicada ao longo de 2025 e no início de 2026. Ele observa que a indústria do estado continua a sentir os impactos de uma taxa de juros elevada, que encarece o crédito e aumenta o custo de capital das empresas, afetando o ritmo de investimentos e consumo. Apesar do início da redução da taxa Selic, os efeitos dessas mudanças ainda demandam tempo para se manifestar plenamente nos indicadores.

A taxa Selic estava em 15% ao ano no começo de 2026 e passou a ser reduzida gradualmente. O fechamento do primeiro semestre evidencia essa dualidade: enquanto setores como refino de petróleo e biocombustíveis (4,9%) e veículos automotores (4,3%) contribuíram positivamente, segmentos que dependem mais de investimentos, como máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-16%) e máquinas e equipamentos (-7,3%), foram os mais impactados.

Felippe aponta que uma recuperação mais robusta da indústria depende não só da continuidade na redução dos juros, mas também da recuperação da demanda e dos investimentos produtivos. Ele acredita que os cortes recentes na Selic devem, com o tempo, melhorar as condições financeiras tanto para empresas quanto para consumidores, embora os efeitos sobre a produção industrial demorem a aparecer. A recuperação será influenciada pela evolução da demanda e das condições específicas de cada cadeia produtiva. Os dados de junho apresentam sinais positivos em algumas áreas, mas os indicadores acumulados ainda refletem um ambiente econômico desafiador.

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