Cuba Enfrenta Crise Energética e Escassez de Recursos em 2023

A crise econômica e energética em Cuba se agrava em 2023, levando a apagões de até 20.
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Cuba se encontra em meio a uma crise econômica e energética que se intensificou ao longo de 2023, sendo considerada por muitos como a mais grave desde a revolução comunista de 1959. Os habitantes da ilha enfrentam apagões frequentes, escassez de alimentos e medicamentos, além da precariedade nos serviços básicos. A situação se agrava pela dificuldade em importar petróleo, que se tornou um desafio nos últimos meses.

A interrupção na importação de óleo bruto é um reflexo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em março deste ano, a Rússia enviou cerca de 100 mil toneladas de petróleo para Cuba, um volume que atende apenas a um terço da demanda mensal, conforme estimativa de Irenaldo Pérez Cardoso, diretor-adjunto da estatal União Cuba-Petróleo.

Os impactos da crise são sentidos em diferentes áreas da capital, Havana. A escassez de combustível resultou em uma significativa diminuição na circulação de veículos e na operação de serviços públicos. Os apagões se tornaram parte da rotina cubana, com relatos de interrupções que podem chegar a quase 20 horas por dia, afetando até mesmo regiões onde estão localizados hospitais e embaixadas. Essa falta de energia compromete também o abastecimento de água, que depende de sistemas elétricos para funcionar.

A população também enfrenta dificuldades para conseguir alimentos. Os mercados estatais, que oferecem preços subsidiados, frequentemente apresentam falta de produtos. Nos estabelecimentos privados, a oferta existe, mas os preços elevados tornam os produtos inacessíveis para a maioria dos cubanos.

Os salários em Cuba estão aquém do custo de vida. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informações mostram que o salário médio no país foi de 6.930 pesos em 2025, equivalente a aproximadamente US$ 14. Muitos trabalhadores recebem valores abaixo dessa média. Enquanto isso, os aposentados relatam receber cerca de 2,5 mil pesos mensais, ou cerca de US$ 5, quantia insuficiente para adquirir até mesmo uma cartela de 30 ovos, que custa cerca de 3 mil pesos em mercados privados.

A insatisfação com o regime de Miguel Díaz-Canel é notável entre os cubanos, embora, devido ao risco elevado de perseguição política, nem sempre se manifeste em uma demanda explícita por mudanças na administração. A escassez de alimentos, medicamentos e recursos financeiros não é uma novidade na ilha, mas a situação atual, agravada pela diminuição do fluxo de turistas pós-Covid-19, acelerou as perdas econômicas. Dados do Ministério da Agricultura revelam quedas expressivas na produção agrícola entre 2018 e 2023.

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