O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, abordou a complexa relação entre a ilha e os Estados Unidos em meio ao agravamento das sanções impostas por Washington e às crescentes ameaças do ex-presidente Donald Trump. Em suas declarações, Díaz-Canel reiterou a abertura de Cuba para o diálogo, mas sublinhou que essa disposição está condicionada ao respeito pela soberania e pelo sistema político cubano.
Díaz-Canel enfatizou que "Cuba sempre teve disposição histórica para dialogar com o governo dos Estados Unidos, desde que isso ocorra com respeito ao nosso sistema político, à nossa soberania e à nossa independência, sem imposições e em condições de igualdade". O líder cubano também afirmou: "Não promovemos a guerra, não a estimulamos, mas não a tememos se for necessário defender a Revolução, a soberania e a independência do país".
Recentemente, autoridades cubanas confirmaram que houve encontros entre representantes de Cuba e dos Estados Unidos, mas, , as negociações ainda estão em estágios iniciais. Desde o início da administração de Donald Trump, em janeiro, a pressão sobre Cuba aumentou, com exigências por mudanças e restrições nas importações de petróleo.
Durante uma conversa com o jornalista Breno Altman, o presidente cubano destacou a relevância do apoio internacional no enfrentamento das restrições. Ele descreveu o Brasil como "uma nação irmã" e elogiou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por sua posição contrária ao bloqueio. Destacou também a solidariedade de movimentos sociais brasileiros, como o MST, afirmando: "Recebemos apoio tanto do governo quanto do povo brasileiro e de seus movimentos sociais".
Além do Brasil, Cuba tem recebido assistência de países como China, Colômbia, México e Rússia, que fornecem alimentos, insumos e apoio energético. Organizações internacionais também têm contribuído com doações e ações solidárias para amenizar os efeitos das sanções.
Díaz-Canel detalhou que o endurecimento do bloqueio impacta diretamente a vida dos cubanos, especialmente no que se refere ao fornecimento de energia elétrica. Ele mencionou que a geração de energia é insuficiente para atender à demanda, resultando em apagões prolongados que podem chegar a 30 horas em algumas localidades, afetando o funcionamento de escolas, hospitais e outros serviços essenciais.

