Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, firmou um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, como parte de uma negociação para uma delação premiada. Ele está preso na Superintendência da PF em Brasília, sob investigação por fraudes financeiras. A colaboração prevista no acordo pode expor relações do empresário com autoridades de alto escalão dos três Poderes.
Mensagens de WhatsApp extraídas do celular de Vorcaro e enviadas à CPMI que investiga fraudes no INSS citam políticos e autoridades influentes, como o senador Ciro Nogueira, o presidente Lula, o ministro Alexandre de Moraes, e os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, entre outros. Vínculos variados foram mapeados no STF, incluindo a advogada Viviane Barci de Moraes, que recebeu R$ 80 milhões do Banco Master.
O ministro Dias Toffoli, que foi relator do caso Master, declarou não ter recebido valores diretamente de Vorcaro e se tornou relator apenas após a venda de sua participação no resort Tayayá. Além disso, o Estado de S. Paulo reportou que o Master pagou R$ 6,6 milhões à Consult Inteligência Tributária, que teria contratado o advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques.
No Executivo, Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, fez lobby para o Master junto ao governo Lula. A condução da delação pela PF e pela PGR é vista como uma forma de conferir mais controle ao processo, minimizando vazamentos e ocultação de informações reveladas por Vorcaro. Espera-se que a colaboração trate de relações com membros do Judiciário.

