Em 19 de abril de 2026, às 22h46, Daniel Vorcaro manifestou sua disposição em devolver uma quantia substancial, no entanto, rejeita a ideia de arcar com os R$ 50 bilhões que foram cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele argumenta que, devido à cobertura oferecida pelo FGC, não existem razões para que ele seja responsabilizado pessoalmente por esses valores. Durante o auge das operações do Banco Master, a emissão de CDBs era realizada com limites de R$ 250 mil por CPF.
A perspectiva de Vorcaro é que as operações devem ser diferenciadas, separando aquelas que possuem lastro legal das que foram fundamentadas em papéis de qualidade duvidosa ou que tenham sido originadas por ações fraudulentas. Ele sugere que a devolução deve corresponder ao montante desviado especificamente para o pagamento de propinas a agentes públicos e privados, para que essas operações fossem viabilizadas. Além do valor principal, Vorcaro está ciente de que deverá incluir uma multa, algo comum em acordos de colaboração e leniência.
A abordagem de Vorcaro tem gerado um impasse nas negociações, e os investigadores estavam próximos de ceder até a recente prisão de Daniel Monteiro, ocorrida na semana anterior. Monteiro é visto como o responsável por arquitetar toda a estrutura que possibilitou o desvio de recursos do Banco Master, bem como a realização de pagamentos de propina. Sua prisão transforma a potencial delação de Monteiro em um elemento crucial, uma vez que ele detém informações detalhadas sobre offshores e bens que foram enviados ao exterior por Vorcaro.
O desenrolar das negociações e a dinâmica entre Vorcaro e Monteiro agora são observados com atenção, dado que a colaboração de Monteiro pode mudar o cenário das investigações e dos acordos propostos. O ex-banqueiro continua a enfatizar a importância de distinguir entre operações legítimas e aquelas que não têm respaldo legal, enquanto os investigadores tentam avaliar a viabilidade de um acordo que envolva a devolução dos recursos de forma justa e proporcional.

