O déficit nominal das contas públicas brasileiras atingiu R$ 1,218 trilhão acumulado em 12 meses até março, o maior valor desde o início da série histórica do Banco Central, que começou em 2002.
Este rombo fiscal vem se mantendo acima da marca de R$ 1 trilhão por sete meses consecutivos, apresentando uma trajetória de crescimento contínuo nos últimos nove meses. Dois fatores principais contribuem para esse resultado alarmante: os altos juros da dívida pública, que somaram R$ 1,080 trilhão no período, e o saldo negativo nas contas primárias do governo.
No que diz respeito ao déficit primário, o total alcançou R$ 137,1 bilhões nos 12 meses encerrados em março, mais que o dobro do registrado em fevereiro, que foi de R$ 52,8 bilhões. O déficit primário é uma medida que indica se o governo arrecada mais do que gasta, excluindo os juros da dívida, enquanto o déficit nominal considera esses custos financeiros, refletindo a verdadeira situação do endividamento do país.
Em março, o déficit primário isolado foi de R$ 80,7 bilhões, com o governo central sendo o principal responsável por R$ 74,8 bilhões desse total. Estados e municípios contribuíram com um saldo negativo de R$ 5,4 bilhões, enquanto as estatais apresentaram um déficit próximo a R$ 500 milhões.
Os gastos com juros no mês de março chegaram a R$ 118,9 bilhões, um aumento significativo em comparação aos R$ 75,2 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Esse crescimento está diretamente relacionado ao nível elevado da taxa Selic, que, mesmo após uma leve redução recente, continua a encarecer a dívida pública e a pressionar as contas do governo.
Com esses números, o cenário fiscal do Brasil se apresenta como um desafio a ser enfrentado, exigindo atenção e ações efetivas para reverter essa tendência de crescimento do déficit que pode comprometer ainda mais a saúde econômica do país.

