O desembargador federal Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), procurou o ex-presidente Michel Temer em uma tentativa de se aproximar do ministro Alexandre de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal das investigações sobre o vazamento de uma operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho.
O relatório final da PF revela que Judice viajou do Rio de Janeiro a São Paulo em 10 de dezembro de 2025, logo após a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar. O encontro ocorreu no escritório de advocacia de Temer, que é considerado próximo a Moraes. O desembargador esperava que a intermediação pudesse conter o avanço das investigações.
Após a reunião, Judice se comunicou com sua esposa, Flávia Judice, relatando detalhes da conversa, que foi monitorada com autorização judicial. Durante a ligação, foi mencionada a possibilidade de enviar uma mensagem de Temer ao ministro do STF, mas o ex-presidente sugeriu cautela, indicando que só atuaria se houvesse necessidade concreta.
Seis dias depois do encontro, Macário foi alvo de uma operação autorizada por Moraes e foi preso sob suspeita de participar do vazamento de informações da operação policial. O relatório de 188 páginas foi concluído em 28 de janeiro e encaminhado à Procuradoria-Geral da República para avaliação de eventual denúncia contra Macário, que não foi formalmente indiciado devido ao foro especial de seu cargo.

