Neste sábado, 9 de maio, a Rússia celebrou uma versão reduzida do desfile do Dia da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou, refletindo os crescentes temores de ataques ucranianos. A festividade, que é um marco cívico importante, homenageia a vitória das forças soviéticas sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Este ano, em contraste com as edições anteriores, o evento não incluiu a tradicional exibição de tanques e armamentos pesados pelas ruas da capital.
A escolha do Kremlin foi mostrar, em telões, uma variedade de sistemas de armamento estratégico, como o míssil balístico intercontinental Yars, o submarino nuclear Arkhangelsk, o sistema antiaéreo S-500, o caça Sukhoi Su-57 e drones utilizados na guerra da Ucrânia. A cerimônia contou com a presença de militares russos e veteranos, que se reuniram diante do presidente Vladimir Putin, que estava acompanhado de ex-combatentes soviéticos próximos ao Mausoléu de Lenin. Além disso, tropas norte-coreanas que atuaram na região de Kursk também participaram do desfile.
Em um discurso que durou aproximadamente oito minutos, Putin reafirmou sua defesa da invasão da Ucrânia, que o Kremlin descreve como uma “operação militar especial”. Ele afirmou que “o grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje cumprem as tarefas da operação militar especial”, ressaltando que eles enfrentam uma “força agressiva armada e apoiada por todo o bloco da Otan” e que, apesar disso, seus heróis continuam avançando.
A comemoração foi realizada sob um rigoroso esquema de segurança. Imagens divulgadas mostraram soldados armados em caminhonetes e bloqueios em várias ruas do centro de Moscou. O governo russo havia alertado que qualquer tentativa de ataque ucraniano durante o evento resultaria em uma “resposta massiva” contra Kiev.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, respondeu ironicamente às ameaças russas, publicando um decreto simbólico que autorizava a realização de ações militares. Recentemente, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou sobre a situação, mencionando um cessar-fogo temporário entre Rússia e Ucrânia e descrevendo os altos custos humanos do conflito, com 25 mil soldados jovens mortos por mês, o que ele considerou uma “loucura”.
O ambiente em Moscou permanece tenso, com relatos de possíveis conspirações contra Putin em meio a supostos temores de golpe ou atentado. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, desmentiu essas especulações, classificando-as como “absurdas”. Uma reportagem da emissora CNN citou uma agência de inteligência europeia que apontava o ex-ministro da Defesa Sergei Shoigu como um possível articulador de uma conspiração contra o líder russo. Shoigu, que atualmente é o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, participou normalmente da cerimônia deste sábado, sentado ao lado de membros da cúpula do governo russo.

