Editorial do Wall Street Journal vê ‘vingança política’ em ações contra Flávio Bolsonaro

Jornal norte-americano critica medidas do Supremo Tribunal Federal e defende proteção dos Estados Unidos ao senador e.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

O conselho editorial do The Wall Street Journal publicou nesta quarta-feira (28) um texto em que classifica como "vingança política" as medidas tomadas contra o senador Flávio Bolsonaro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O editorial, intitulado "Ao vencedor do Brasil, a vingança política", questiona a imparcialidade da Justiça brasileira e sustenta que a decisão dos Estados Unidos de receber o parlamentar e sua família representa uma oferta justificável de proteção política.

, a proximidade entre o resultado eleitoral de domingo e a determinação para que Flávio entregasse seus passaportes é um dos indícios da perseguição. O texto registra que o ministro Alexandre de Moraes autorizou um pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem do senador, que deixou o Brasil com a mulher e as filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e chegou a Miami na quarta-feira. O conselho editorial afirma que o parlamentar teria motivos para acreditar que não receberia um julgamento justo.

O editorial também critica a atuação de Moraes, argumentando que cabe ao procurador-geral avaliar a apresentação de uma acusação criminal contra um político federal, e sustenta que o ministro amplia sua jurisdição de acordo com objetivos políticos. A publicação menciona uma declaração atribuída a Lula durante um debate de campanha, na qual o presidente teria associado a perda da imunidade parlamentar de Flávio à abertura de investigações. A partir dessa passagem, os autores acusam Lula de escolher previamente o adversário como alvo e procurar depois uma justificativa criminal, interpretação apresentada pelo conselho editorial.

Para reforçar o argumento sobre a imparcialidade do Judiciário, o texto recupera a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, classificando como tendencioso o resultado de quatro votos a um. O jornal destaca a participação de Moraes e de ministros indicados por Lula, menciona os vínculos anteriores de integrantes do colegiado com o presidente, como a atuação de Cristiano Zanin como advogado de Lula e a passagem de Flávio Dino pelo Ministério da Justiça, e elogia o voto divergente de Luiz Fux, ressaltando as 452 páginas da manifestação e as objeções sobre a competência do Supremo, a avaliação das provas e o respeito ao devido processo legal.

Na parte final, o editorial projeta que Lula poderá indicar até quatro ministros nos próximos quatro anos, em uma Corte formada por 11 integrantes, e atribui ao novo Senado brasileiro a responsabilidade de defender a integridade e a independência do Judiciário. O conselho editorial encerra com um alerta sobre autocracia, descrevendo um percurso no qual um governante chega ao poder pelo voto, assume o controle do Judiciário e passa a prender adversários, e coloca em dúvida se o Brasil conseguirá preservar o Estado de Direito.

PUBLICIDADE

Relacionadas: