As eleições desta terça-feira, 27, renovam a composição do Knesset, o Parlamento de Israel, que tem 120 deputados. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a oposição tentam montar blocos com no mínimo 61 parlamentares para viabilizar a formação do próximo governo, definição que deve ocorrer nos próximos dias.
A quantidade de 120 cadeiras foi inspirada na Grande Assembleia da tradição judaica, a Knesset HaGedolah. O Parlamento moderno foi instalado em 16 de fevereiro de 1949, quando a Assembleia Constituinte eleita no mês anterior aprovou a Lei de Transição e passou a atuar como o primeiro Parlamento do país, substituindo o órgão legislativo provisório.
Segundo o rabino Yossi Khafif, a Grande Assembleia surgiu da necessidade de o povo ter uma diretriz sobre as leis da Torá e a forma de cumpri-las. A instituição, também chamada Anshei Knesset HaGedolah (Homens da Grande Assembleia), atuou na reorganização da vida religiosa judaica após o exílio babilônico. Sua origem remonta ao período do Segundo Templo de Jerusalém, concluído por volta de 516 ou 515 a.C., durante o domínio persa sob o reinado de Dario I. A formação é tradicionalmente associada a Esdras, sacerdote judeu que teria vivido aproximadamente entre 480 e 400 a.C., e a Neemias, especialmente no século 5 a.C.
Entre as contribuições atribuídas aos sábios da Grande Assembleia está a organização da Amidá, reza central do judaísmo recitada três vezes ao dia. A tradição credita a formulação de 18 bênçãos, as brachot, posteriormente acrescidas de uma 19ª relacionada à proteção da comunidade diante de delatores e adversários. A oração também é chamada Shemoneh Esrei, expressão hebraica que significa 18. O Talmude faz referência a 120 anciãos, entre eles profetas, e o filósofo e rabino Maimônides, que viveu entre 1138 e 1204, menciona essa quantidade na introdução de sua obra Mishné Torá (Segunda Torá).
O rabino Yossi Khafif ressalta que, apesar da inspiração histórica e da semelhança dos nomes, as atribuições das duas instituições são distintas. A Grande Assembleia voltava-se à preservação, interpretação e organização da vida religiosa judaica, enquanto o Knesset moderno exerce funções políticas e legislativas no Estado de Israel, ao elaborar leis e fiscalizar o governo. Não há evidências históricas definitivas de que os 120 sábios tenham integrado simultaneamente a instituição, segundo Yossi, para quem o número pode englobar sábios de várias épocas e gerações.