O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a antecipação das eleições gerais para o dia 29 de novembro. A decisão surge em meio a uma legislatura marcada pela fragilidade de seu governo de coalizão e por crescentes dificuldades na aprovação de iniciativas importantes. A escolha de convocar novas eleições foi motivada pela necessidade de renovar o apoio popular após a recente derrota no Congresso em relação a medidas voltadas para a crise da moradia.
Sánchez comunicou a decisão em uma mensagem no Palácio de Moncloa, sede da Presidência do Governo em Madri. Ele convocou um Conselho de Ministras e Ministros extraordinário, onde anunciou a dissolução das Cortes Gerais e a convocação das eleições. Em sua declaração, o presidente afirmou que para realizar reformas necessárias e combater a desigualdade, é imprescindível obter uma maioria progressista mais ampla no Parlamento.
As pesquisas de intenção de voto apontam o Partido Popular (PP), principal força de oposição, à frente do Partido Socialista, embora ainda sem uma maioria absoluta. Esse cenário sugere que o PP precisaria buscar apoio de outras forças para formar um governo, sendo que a extrema direita do Vox se destaca como um potencial aliado.
A reação do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, foi de que os espanhóis decidirão o futuro do país nas urnas. Ele expressou seu desejo de servir à nação, prometendo deixar para trás períodos de incerteza e iniciar uma nova fase que una os cidadãos. Inicialmente, as eleições estavam programadas para acontecer em meados de 2027.
A antecipação do pleito ocorre após um revés significativo para o governo, que recentemente tentou aprovar um pacote de medidas em meio a protestos pela moradia. Esses protestos foram intensificados pelo despejo de Maricarmen Abascal, uma mulher de 87 anos, que se tornou um símbolo das dificuldades de acesso à habitação na Espanha. Sua situação, marcada pelo despejo de um apartamento onde viveu por sete décadas, após a venda do imóvel com um aumento de 275%, gerou indignação entre os movimentos sociais.
Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em Madri e em outras cidades, exigindo soluções para a crise habitacional. Além disso, um acampamento se formou na Praça Puerta del Sol, em Madri, como forma de pressão por reformas. A porta-voz do Sindicato de Inquilinos, Alicia del Río, afirmou que a nova campanha eleitoral será profundamente influenciada pela questão da moradia e que a onda de indignação é incontrolável.