A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo revelou um aumento no endividamento das famílias brasileiras em julho, que alcançou 82%. Em comparação, o índice era de 81,6% em junho, evidenciando uma tendência preocupante no cenário financeiro das famílias.
O programa Desenrola, criado pelo governo, não apresentou os resultados esperados e pode ter contribuído para o aumento da inadimplência. A proposta, ao oferecer melhores condições de pagamento, pode ter incentivado as pessoas a se endividarem ainda mais, caracterizando um fenômeno conhecido como moral hazard, onde o incentivo moral é negativo.
Especialistas apontam que, para combater efetivamente o problema do endividamento, seria necessário que o governo implementasse um ajuste fiscal que possibilitasse a redução das taxas de juros. A elevada taxa de juros no Brasil é um dos principais fatores que impedem os cidadãos de se livrarem das dívidas, mantendo muitos em um ciclo de inadimplência.
Além disso, a implementação de programas de educação financeira poderia ser uma alternativa mais eficaz do que a simples oferta de crédito subsidiado. A crítica se concentra na falta de ações que tratem a questão estruturalmente, enquanto o Desenrola aparece como uma solução superficial que não aborda as causas fundamentais da inadimplência.
A questão que se coloca é por que o governo não adota medidas mais robustas e efetivas. A resposta pode estar na conveniência de criar programas populistas que, embora não resolvam o problema do endividamento familiar, têm potencial para gerar apoio eleitoral em tempos de crise financeira.

