O governo do Equador lançou a maior operação contra o narcotráfico desde a declaração de conflito armado interno em 2024. Até a quarta-feira (18), mais de 75 mil policiais e militares foram mobilizados, com apoio de veículos blindados e helicópteros, para ações simultâneas em El Oro, Guayas, Los Ríos e Santo Domingo de los Tsáchilas, as províncias mais afetadas pelo crime organizado. A operação está prevista para durar até 31 de março.
O ministro do Interior, John Reimberg, instituiu um toque de recolher das 23h às 5h nas quatro províncias e alertou a população sobre a situação. Ele enfatizou que o governo está em guerra e pediu que as pessoas permaneçam em casa, deixando a ação para a força pública. Os infratores que desrespeitarem o toque de recolher poderão ser presos, com penas de um a três anos determinadas em coordenação com o Ministério Público e o Judiciário. Apenas profissionais de saúde, serviços de emergência e viajantes com comprovante de passagem estão isentos da restrição.
A operação é considerada de alta complexidade, com operações coordenadas em terra, ar e mar, visando recuperar áreas dominadas por máfias. Entre os alvos estão cartéis internacionais, mineração ilegal e organizações armadas ligadas ao tráfico de drogas. O governo impediu a cobertura da imprensa durante os dias de operação.
A ofensiva é a primeira ação da “Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis”, chamada “Escudo das Américas”, criada por Donald Trump e formalizada em Miami no início de março, com o Equador integrado ao bloco. O país, que tem enfrentado um aumento alarmante nos homicídios, registrou 9.235 assassinatos em 2025, a maior cifra de sua história. O Equador, localizado entre Colômbia e Peru, tornou-se um importante ponto de trânsito de cocaína, com cerca de 70% da produção dos países vizinhos passando pelo seu território.

