No último sábado, 1º de setembro, o governo espanhol anunciou que aproximadamente 48 mil imigrantes foram escoltados de volta ao Marrocos após uma invasão na cidade de Ceuta, que possui cerca de 80 mil habitantes. Essa movimentação em massa ocorreu após a chegada de mais de 50 mil pessoas ao enclave em um intervalo de menos de dois dias.
Os imigrantes, que chegaram entre os dias 30 e 31 de agosto pela cidade marroquina de Fnideq, escalaram cercas ou cruzaram o mar em botes infláveis em condições precárias. Durante essa travessia, o número de mortos foi registrado em 67.
A crise migratória resultou na convocação de uma reunião de emergência da União Europeia, marcada para a próxima terça-feira, 4 de setembro. Adicionalmente, o governo italiano sugeriu a exclusão temporária da Espanha do espaço de livre circulação da UE, proposta que foi considerada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez como egoísta e polarizadora. Ele argumentou que essa solicitação decorre de preconceitos e desinformação, enfatizando a necessidade de unidade na construção de uma Europa forte.
Em resposta à crise, a Espanha implementou boias de contenção no mar para impedir novas travessias. No entanto, um representante dos guardas civis de Ceuta avaliou essa medida como tardia e insuficiente. Neste mesmo dia, dois imigrantes receberam assistência médica após cruzarem a fronteira a nado.
O governo espanhol atribui essa onda migratória a boatos disseminados por redes de tráfico humano nas redes sociais, além de uma suposta diminuição na fiscalização por parte dos guardas marroquinos, o que remete ao cenário de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas também entraram em Ceuta em um curto período.
Embora o Marrocos não enfrente uma guerra ou uma crise humanitária, o país apresenta uma taxa de desemprego de quase 40% entre os jovens. Até o momento, não houve comentários oficiais do governo marroquino sobre a situação atual.

