O ex-ministro Nelson Jobim, que já ocupou a presidência do Supremo Tribunal Federal, expressou preocupações sobre a transformação interna da Corte ao longo dos anos. Em suas declarações recentes, ele caracterizou o STF como uma "soma de individualidades", ressaltando que a instituição perdeu sua coesão e liderança.
Jobim fez um contraste entre o funcionamento atual do tribunal e períodos passados, destacando que anteriormente havia uma maior convergência entre os ministros. Ele lembrou que, em tempos passados, a prática comum era acompanhar o voto do relator sem a necessidade de extensas manifestações individuais, o que tornava os julgamentos mais objetivos e coesos.
Atualmente, a situação é diferente. O ex-ministro observa que a atuação dos magistrados se tornou mais individualizada, resultando em um menor alinhamento entre os integrantes da Corte. Essa mudança de dinâmica, , ocorreu em parte devido à criação da TV Justiça, que, embora tenha sido concebida como um meio de promover a transparência, gerou consequências inesperadas.
A transmissão ao vivo dos julgamentos, na visão de Jobim, incentivou a exposição pessoal dos ministros, criando "ilhas individualizadas". Ele assinalou que o desejo de ser visto e reconhecido resultou em fragmentação do comportamento dentro da instituição, o que comprometeu a condução coletiva dos trabalhos.
O diagnóstico de Jobim sobre a erosão da coesão institucional do STF é relevante em um contexto de intensos debates sobre o papel do tribunal e os limites de sua atuação. O ex-ministro enfatiza que a transformação não se limita às decisões judiciais, mas também reflete uma mudança no comportamento dos ministros, que têm priorizado posturas individuais em detrimento do trabalho em conjunto.
As declarações de Nelson Jobim ganharam destaque em meio a discussões públicas sobre a atuação do STF, tema que tem gerado repercussões significativas no cenário político e nas redes sociais.

