A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), protocolou um pedido de liberdade provisória junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Costa está preso preventivamente desde abril e, na solicitação feita ao relator do caso, ministro André Mendonça, o advogado Davi Tangerino criticou a falta de progresso nas negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A petição foi enviada ao STF no último dia 12.
Tangerino destacou que as tentativas de colaboração por parte de Costa começaram em 19 de abril, com uma reunião realizada com membros do Ministério Público Federal em 28 de maio. No entanto, segundo a defesa, as tratativas não avançaram. O advogado argumentou que Paulo Henrique Costa nunca foi interrogado desde a primeira fase da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada em novembro do ano anterior.
No documento enviado ao STF, a defesa enfatiza que solicitou uma resposta formal da PGR sobre a intenção de colaboração do ex-presidente do BRB, mas não obteve retorno. Além disso, Costa não firmou um acordo de confidencialidade com o Ministério Público Federal, uma etapa que normalmente precede as negociações formais para a delação premiada.
Nos bastidores da investigação, integrantes do Ministério Público avaliam que as informações que poderiam ser oferecidas por Costa não acrescentariam elementos novos às provas já coletadas. A falta de confissão de crimes nas propostas apresentadas por Costa também é um fator que pesa contra a possibilidade de um acordo.
A defesa de Paulo Henrique Costa questiona a manutenção da prisão preventiva ao comparar sua situação com a de outros investigados que estão em liberdade. O advogado argumenta que não há justificativa para a continuidade da prisão do ex-presidente do BRB, uma vez que não houve qualquer atuação após seu afastamento do cargo.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça afirmou que Costa teria desempenhado um papel crucial nas operações relacionadas à compra de ativos do Banco Master pelo BRB. Segundo a investigação, a contrapartida para essas operações teria incluído imóveis de alto padrão em Brasília e São Paulo, avaliados em R$ 146 milhões.

