O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu, nesta quarta-feira (15), pela interdição judicial de Fernando Henrique Cardoso, que aos 94 anos enfrenta um quadro avançado de Alzheimer. A tutela de sua vida financeira e cotidiana ficará a cargo de seu filho, Paulo Henrique Cardoso, conforme já havia sido acordado anteriormente pelo ex-presidente.
As filhas de FHC, Luciana e Beatriz, manifestaram apoio à decisão e concordaram COM o processo judicial. Laudos médicos recentes indicam que as funções cognitivas de Fernando Henrique estão severamente comprometidas em decorrência da doença.
A interdição judicial é um procedimento que declara a incapacidade de um indivíduo em gerir seus atos e patrimônio. Essa medida é aplicada em casos de doenças mentais, físicas ou dependência química, designando um tutor para garantir o bem-estar e a segurança do interditado.
Fernando Henrique Cardoso, que se destacou na política brasileira, iniciou sua trajetória como sociólogo e professor. Durante a Ditadura Militar na década de 1960, foi forçado a deixar o Brasil, refugiando-se no Chile e na França. Após seu retorno, tornou-se ativo na política, participando do movimento Diretas Já, ao lado de figuras como Luiz Inácio Lula e Ulysses Guimarães.
Em 1985, FHC tentou se eleger prefeito de São Paulo, mas perdeu por uma margem de 141 mil votos para Jânio Quadros. Mais tarde, foi nomeado ministro das Relações Exteriores e, em 1993, assumiu o Ministério da Fazenda, onde, junto a renomados economistas, implementou o Plano Real, que estabilizou a economia brasileira.
Após duas eleições consecutivas como presidente, FHC se afastou da política ativa após a derrota de seu sucessor, José Serra, para Lula nas eleições de 2022, embora tenha sido uma figura proeminente no PSDB até sua saída por questões de saúde.

