A Medida Provisória proposta por Lula para eliminar a taxa das blusinhas se vê em uma situação delicada no Congresso Nacional. Com as articulações da oposição ganhando força, cresce a possibilidade de que a MP não seja votada, levando à sua caducidade após o prazo de 120 dias sem apreciação.
Entidades do setor produtivo e representantes da indústria têm intensificado o lobby junto a Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso Nacional, solicitando que a MP seja devolvida ao Executivo. A principal argumentação dos empresários é a ausência dos requisitos constitucionais de urgência e relevância que justificariam a edição da medida pelo presidente.
Embora Alcolumbre resista à devolução da Medida Provisória, fontes da oposição indicam que a estratégia mais viável será simplesmente não pautar o texto. Caso o prazo de 120 dias expire sem que a MP seja apreciada, ela perderá automaticamente sua validade, o que parece ser uma tática conveniente para a oposição.
Os parlamentares contrários à MP preferem evitar que suas posições sejam expostas em uma votação. Ao deixar a medida sem apreciação, nenhum membro do Congresso precisará se comprometer a favor da manutenção do imposto, o que impõe uma derrota ao governo sem que ninguém assuma a responsabilidade por defender a tributação sobre compras internacionais de baixo valor.
A questão jurídica também é um ponto crucial na resistência à MP. Críticos argumentam que a decisão de Lula de revogar a taxa das blusinhas por Medida Provisória fere a segurança jurídica e o princípio da previsibilidade tributária, considerando que o próprio Congresso havia aprovado a taxa para 2024. Essa reversão unilateral por decreto é vista como uma manobra controversa.
A taxa das blusinhas foi criada durante o governo Lula e implementada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. Agora, o mesmo presidente que instituiu a cobrança tenta revogá-la por meio de uma Medida Provisória, uma ação interpretada pela oposição como de caráter eleitoreiro. Este movimento é considerado uma tentativa de conquistar a simpatia dos consumidores em um período próximo ao ciclo eleitoral, sem considerar os impactos que a medida pode ter sobre o setor produtivo nacional.

