Auxiliares do Palácio do Planalto e do Itamaraty estão empenhados em organizar um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião está sendo planejada para coincidir com a cúpula do G7, programada para os dias 15 a 17 de junho de 2026, em Évian, na França. Fontes ligadas ao governo brasileiro e à Casa Branca em Washington DC confirmaram que há uma articulação em andamento para conectar os dois líderes durante o evento.
A proposta é que Lula tenha a oportunidade de discutir diretamente com Trump o recente tarifaço imposto pelos EUA, além de abordar o cenário eleitoral no Brasil e outras pendências que envolvem as relações bilaterais. A movimentação é vista como uma tentativa de mitigar as tensões comerciais que surgiram com a nova proposta de tarifas adicionais, que podem atingir até 25% sobre produtos brasileiros.
Lula, em uma reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto no dia 3 de junho, expressou sua surpresa diante da proposta de tarifas e anunciou que enviaria uma nova carta a Trump solicitando esclarecimentos sobre a situação. Ele enfatizou que o Brasil não se submeterá a pressões, criticando o que considera uma interferência política e mencionando ações de “traidores da pátria” relacionadas ao ambiente eleitoral.
As novas tarifas estão previstas para entrar em vigor em breve, com discussões técnicas que podem culminar na implementação a partir do dia 5 de junho ou em um prazo próximo, dependendo do relatório final do USTR (Representante Comercial dos EUA). As decisões definitivas devem ser tomadas até meados de julho, aumentando a pressão sobre as negociações.
Um fator adicional que pode complicar as relações entre Brasil e EUA é a recente reunião entre Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato, e Trump no Oval Office, ocorrida em 27 de maio de 2026. Durante esse encontro, Flávio solicitou a classificação de facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Essa temática gerou repercussão e é vista como uma fonte de tensão nas relações bilaterais, levando o governo brasileiro a buscar uma abordagem mais direta e de alto nível para evitar uma escalada nas disputas comerciais.
Nos bastidores, a expectativa é de que, mesmo sem um encontro bilateral formal confirmado, Lula e Trump possam ter uma conversa durante a cúpula do G7. O Planalto e o Itamaraty continuam realizando sondagens para que a reunião se concretize e não permaneça apenas como uma intenção.

