A plataforma 1xBet, reconhecida internacionalmente por seu histórico de atuação irregular, obteve autorização oficial do governo Lula para funcionar legalmente no mercado brasileiro de apostas.
A concessão do aval pelo Ministério da Fazenda, em julho, ocorreu em um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que o governo federal endurece o discurso contra casas de apostas ilegais, a empresa já era ré em processos judiciais por bloqueio de prêmios devidos a clientes brasileiros.
A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que detalhou como a 1xBet conseguiu a licença mesmo durante o período em que operava sem permissão federal no país.
Clientes com saques bloqueados e disputas nos tribunais
Em documentos judiciais, ficou comprovado que apostadores tiveram saques bloqueados pela plataforma. Nas defesas apresentadas em juízo, a empresa alegou não ter controle sobre o site envolvido nas operações, tentando se eximir de responsabilidade. Esse argumento, porém, foi rejeitado por tribunais de ao menos quatro estados: Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Dois casos exemplificam o problema. Em Goiás, a Defy Ltda — empresa que opera a 1xBet no Brasil — pagou R$ 3,1 mil a um apostador que teve prejuízo antes da regulamentação, sem sequer contestar a ação. Já em Santa Catarina, uma mulher teve R$ 5,2 mil bloqueados em janeiro de 2025. A Justiça determinou a devolução do valor, e a empresa já perdeu dois recursos nesse caso, restando apenas um a ser julgado.
Estrutura societária e vínculos internacionais
A operação brasileira da 1xBet é conduzida pela Defy Ltda, sediada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. A companhia está ligada a Carlos Eduardo Ferreira e à Lutum Limited, registrada no Chipre, onde fica a base da operação internacional.

