Uma operação da Polícia Civil, realizada em 27 de abril, revelou uma grave situação envolvendo a penetração do crime organizado nas esferas do governo em São Paulo. Os Documentos da Operação Contaminatio, conduzida pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, indicam que um helicóptero, que transportava um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes em 10 de março de 2022.
De acordo com o relatório da Polícia Civil, a autorização para o pouso foi obtida em cerca de seis horas, por meio de contatos políticos. O delegado Fabrício Intelizano, que elaborou o documento e o enviou à delegada Margarete F. C. Barreto, responsável pela Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, descreveu a situação como "surpreendente". Ele também enfatizou que este episódio ilustra a gravidade da infiltração do crime organizado nas instituições públicas, apresentando riscos significativos para as estruturas estatais.
As investigações apontam que a intenção do traficante, ao desembarcar no Palácio dos Bandeirantes, era assistir a um jogo entre São Paulo e Palmeiras no Estádio do Morumbi, uma partida válida pelo Campeonato Paulista. O indivíduo identificado como João Gabriel de Melo Yamawaki, empresário e posteriormente preso em 2 de março de 2026 no Tocantins, estava foragido desde março de 2025. Ele é suspeito de envolvimento em um grande carregamento de 500 quilos de cocaína, apreendido em um avião que vinha da Bolívia.
A apuração revelou que Yamawaki teria solicitado ajuda ao vereador de Santo André, Thiago Rocha de Paula, que na época era filiado ao PSD. O vereador foi mencionado nas investigações como alguém que teria intermediado a liberação do heliponto para o pouso do helicóptero, embora ele tenha negado qualquer associação com os investigados e alegado desconhecimento sobre o episódio.
João Doria, que era governador de São Paulo durante o ocorrido, afirmou que não cabe ao chefe do Executivo estadual autorizar pousos no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, ressaltando que essa responsabilidade é de outra pasta.
A Operação Contaminatio vai além do incidente no Palácio dos Bandeirantes e investiga a infiltração do PCC em administrações municipais do interior do estado, bem como o financiamento de candidatos para as eleições de 2024. A operação evidencia a estratégia da facção para expandir sua influência no setor público por meio de alianças políticas, apontando para um grave problema de corrupção e comprometimento das instituições governamentais.

